É um mito achar que as companhias só são vendidas quando não estão em boa situação financeira ou se o dono decide se aposentar
Vender ou não a empresa exige uma reflexão crítica e analítica sobre suas motivações. É um mito achar que as companhias só são vendidas quando não estão em boa situação financeira ou se o dono decide se aposentar. O aproveitamento de um bom momento de mercado para vender uma companhia é uma estratégia que ganha cada vez mais espaço entre os brasileiros que olham esse mercado e enxergam oportunidades de crescimento.
A boutique RGS Partners, especializada em fusões e aquisições no Middle Market, aponta nos tópicos abaixo para os aspectos que costumam embasar a decisão de vender o negócio.
Mercado
De um lado, ventos favoráveis caracterizados pelos movimentos de consolidação tornam alguns setores mais competitivos e desafiadores e, de outro, propostas tentadoras feitas pelos players consolidadores trazem maiores retornos financeiros ao empreendedor por meio de uma valorização mais atrativa da empresa.
“Ao contrário do que ainda pensam muitos empresários, várias metodologias são utilizadas hoje para capturar crescimento e rentabilidade, maximizando o valor da empresa”, afirma Hugo Pacheco, sócio da RGS Partners.
Governança
A necessidade de profissionalização da gestão, a dependência de grandes investimentos para continuar crescendo e até mesmo a busca pelo aperfeiçoamento de processos internos são pontos que acabam exigindo uma maior e mais eficiente governança. A captação de recursos pode ir além dos bancos comerciais, compreendendo sócios investidores, dispostos a aportar capital inteligente e conhecimento ao compartilharem o risco com o empresário.
“Há uma série de benefícios, por exemplo, em um aporte de um fundo de investimentos. Um aporte de capital inteligente permite a profissionalização da gestão e um alto padrão de governança, assim como a possibilidade de triplicar o valor da empresa em um curto espaço de tempo e realizar novas contratações, expansões fabris e aquisições”, explica Pacheco
Questões societárias
Diferentes visões entre sócios sobre o futuro do negócio, a falta de sucessão familiar ou o falecimento inesperado do fundador são critérios que acabam culminando na venda de uma companhia.
“Por mais que tenhamos que lidar com questões sensíveis, é sempre importante que esae processo seja acompanhado de perto e aconselhado por quem tem expertise neste mercado, até para que vendedores e compradores cheguem a um denominador comum, interessante para ambas as partes”, reforça.
Questões financeiras
É preciso definir objetivos, que podem transitar entre empreendedores que buscam aposentadoria, com segurança financeira e qualidade vida, e aqueles que pretendem diversificar o patrimônio.
“Analisar com cuidado quais os propósitos financeiros que sustentam a decisão da venda de uma empresa é algo que certamente deve impactar na forma como será realizada essa transação e, principalmente, em quando ela deve ocorrer”, pontua.
Obstáculos
Se o negócio não se concretizar, muita calma. É relativamente normal. Pacheco lembra que alguns obstáculos podem frear as transações. Como exemplo, cita empresas que não conseguem levantar e organizar a tempo informações contábeis, financeiras, tributárias e trabalhistas. O timing também pode impactar o sucesso de um acordo. Alguns setores podem estar “frios” no momento da oferta.
“Isso sem falar em passivos desconhecidos que podem ser encontrados durante a etapa de diligência e inviabilizar um M&A, e na hipótese de comprador e vendedor, seja no valuation ou nas condições comerciais, não encontrarem um ponto em comum”, completa.
Hora da venda
Ao tomar a decisão de vender a empresa, ressalta Pacheco, é hora de promover os preparativos. Uma análise prévia das demonstrações financeiras e dos potenciais riscos ajuda a identificar o grau de preparação de uma empresa para um processo de fusão e aquisição ou captação de recursos. Esse processo ainda demanda um plano de ação para garantir um valuation satisfatório, com um acompanhamento permanente e a adoção de estratégias de defesa para ajustes de EBITDA e potenciais passivos.
“Após a etapa preparatória, vamos ao mercado com a definição da melhor lista de compradores e uma tese de investimento por tipo de comprador, com um mapeamento de sinergias, inclusive. Isso cria uma dinâmica competitiva bastante positiva para o negócio”, diz.
Fonte: Administradores.com
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